terça-feira, 29 de março de 2011

BÔNUS .......

Bônus.
Sinto vergonha de tocar neste assunto.

Meu filho e marido trabalham em empresas organizadas que valorizam seu trabalho e desempenho e todos os anos eles recebem 13o., 14o. e PLR (com valores que não dão vergonha de mencionar).
Já eu não consigo nem tocar no assunto pois sinto vergonha de falar que após tanta dedicação e gastos para suprir as necessidades mais básicas dos meus alunos(compra de lápis, cadernos, tênis, blusa de frio, camiseta, mochila que rasgou, papel sulfite, etc.)para que tenham uma aula com condições materiais e físicas, recebo a notícia de que o "bônus" tão esperado pelo professor foi uma piada: O meu foi de R$209,13.

Não é preciso dizer que "com certeza" minha escola superou as metas estabelecidas para o ano de 2010. Nós já havíamos ultrapassado a meta dos últimos dois anos. Aproveitamos os horários de HTPC e PROJETO para o estudo e elaboração de aulas que estimulem o aluno a aprender, pesquisar e conquistar sua autonomia.

Assim, quando o ano inicia ouvimos sempre aquela conversa:
- "Este ano, quando receber o bônus, espero trocar a cama do meu filho que está quebrada...ou
- Pretendo fazer uma festinha de aniversário da minha filha,
- Espero comprar o berço do bebê que vai nascer,
- Minha dermatologista indicou um remédio para as manchas de sol que são muito caros quando receber o bônus,
- Vou comprar uma impressora para preparar as atividades das crianças em casa,
- Vou comprar garrafas térmicas e um novo filtro para a escola,
- Vou visitar a minha mãe na Bahia, e assim por diante.

Mas esse ano, esses sonhos foram afundados com o desprezo que a Secretária da Educação jogou sobre eles. Mais do que isso, com o desprezo sobre nosso trabalho, nossa competência, nossas vidas.
Depois ainda ouviremos os meios de comunicação dizer que os professores não estão preparados e mais que o novo governo tem um plano de carreira que irá valorizar ainda mais o professor?
Que critérios serão utilizados para essa valorização? Os mesmos do Bônus?

Já não acreditamos mais em contos de fadas.

Talvez eu destine meu bônus para a compra de vinho e envie de presente aos governantes deste país com o seguinte bilhete:
"Agradeço a gorjeta mais preciso acordar cedo amanhã para enfrentar uma sala de aula com 30 alunos carentes que futuramente governarão o "seu/nosso" país e eu não quero que o "seu/nosso" futuro seja prejudicado por conta de "sua" consideração com a minha categoria profissional"

sexta-feira, 25 de março de 2011

Psicose Infantil - O que é?

Como já disse em outro post, quando recebo um aluno que é apresentado pelos pais ou pelo coordenador como portador de alguma síndrome ou dificuldade, não recorro imediatamente ao laudo para conhecer melhor suas dificuldades.

Procuro primeiro conhecer a criança na realização das atividades escolares.

Em 2008 recebi uma aluna em minha turma de 1o.ano com diagnóstico de autismo e psicose infantil, mas só li esse laudo 2 semanas depois de observá-la em sala. Antes disso não sabia nada sobre o que ela tinha. A mãe quando me entregou a filha na porta da sala, somente disse que havia um laudo com maiores informações na secretária e SÓ.

Ela era meiga, quieta, não gostava de olhar diretamente nos olhos, não conversava com as crianças ou comigo, não gostava das brincadeiras, ficava sozinha no recreio, não fazia as lições e queria apenas escrever muitas vezes seu nome ou alguma outra palavra. Então resolvi ler o laudo e me assustei com a palavra PSICOSE.

Assim que cheguei em casa, corri para a internet e li muita coisa sobre o assunto. Tentei associar alguma informação ao comportamento dela mas não quis acreditar no que li e ....não acreditei no laudo. Busquei um curso sobre autismo e me matriculei na pós em psicopedagogia. O que queria era compreender melhor minha aluna e poder ajudar a todos sem distinção.

Ao final do ano ela pouco evoluiu no que diz respeito a aprendizagem, mesmo freqüentando em horário contrário a sala de recursos, mas conversava com os amigos, ficava com uma amiga no recreio, sorria para mim, gostava de vir a escola e contava algumas coisas de sua vida, exemplo que tinha um cachorrinho chamado TOTY e que ele era muito bagunceiro.

Ela ainda está na escola mas somente na sala de recursos. Vejo ela passar e ainda sorrio ou falo com ela mas sei que a falta dos laços diários afastam o autista das pessoas. Quanto ao laudo de Psicose, bem não sei, não posso falar nada, cabe ao profissional avaliar e diagnosticar e não ao professor ficar preso a laudos.

Deixo aqui uma reportagem sobre o assunto caso para maiores informações. LINK

terça-feira, 15 de março de 2011

Essa equipe maravilhosa de professoras trabalha duro para uma educação de qualidade.
Conheça Educação em foco

domingo, 13 de março de 2011

TDHA - Uma doença inventada?

Muitas vezes já ouvimos esse termo na escola, nos meios de comunicação ou no meio social (parentes, amigos, cursos), mas o que é o TDHA - Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade?

No ambiente escolar é comum associar o termo a alguma criança agitada ou desatenta, correndo o risco de rotula-la com um diagnóstico, mesmo não tendo habilitação específica para isso.

Assim buscando esclarecer o assunto com maiores informações encontrei a ABDA, uma associação que discute e pesquisa o assunto junto a comunidade médica e acadêmica.

O texto acima foi redigido por: Paulo Mattos – Presidente do Conselho Científico da ABDA– Psiquiatra LINK

TDAH É UMA DOENÇA INVENTADA?

Você certamente já leu ou ouviu em algum lugar que o TDAH “é uma doença inventada pelos laboratórios farmacêuticos” ou que é uma “medicalização” de comportamentos de indivíduos que são simplesmente diferentes dos demais. Então vamos aos fatos:

1) O que hoje chamamos de TDAH é descrito por médicos desde o século XVIII (Alexander Crichton, em 1798), muito antes de existir qualquer tratamento medicamentoso. Não existia sequer aspirina... No inicio do século XX, aparece um artigo científico publicado numa das mais respeitadas revistas médicas até hoje, The Lancet, escrita por George Still (1902). A descrição de Still é quase idêntica a dos modernos manuais de diagnóstico, como o DSM-IV da Associação Americana de Psiquiatria. Se fosse uma doença “inventada” ou “mera conseqüência da vida moderna”, você acha que seria possível atravessar quase dois séculos com os mesmos sintomas?

2) Os sintomas que compõem o TDAH são observados em diferentes culturas: no Brasil, nos EUA, na Índia, na China, na Nova Zelândia, no Canadá, em Israel, na Inglaterra, na África do Sul, no Irã... Já chega? Pois se fosse meramente um comportamento secundário ao modo como as crianças são educadas, ou ao seu meio sociocultural, como é possível que a descrição seja praticamente a mesma nestes locais tão diferentes?

3) Se o TDAH fosse meramente “um jeito diferente de ser” e não um transtorno mental, por que os portadores, segundo os dados de pesquisas científicas, têm maior taxa de abandono escolar, reprovação, desemprego, divórcio e acidentes automobilísticos? Por que eles têm maior incidência de depressão, ansiedade e dependência de drogas?

4) Se o TDAH fosse “uma invenção da indústria farmacêutica”, você esperaria que a Organização Mundial de Saúde – órgão internacional máximo nas questões relativas à saúde pública sem qualquer vinculação com a indústria farmacêutica – listaria o transtorno como parte dos diagnósticos da Classificação Internacional das Doenças não só na sua última versão (CID-10) como nas anteriores (CID-8 e CID-9)? Pois é, ele está lá no capítulo dos transtornos mentais – vide o site http://www.datasus.gov.br/cid10/v2008/cid10.htm

5) Se o TDAH fosse secundário ao modo como os pais educam seus filhos, por que motivo as famílias biológicas de crianças com TDAH que foram adotadas têm prevalências (taxas) de TDAH bem maiores do que aquelas encontradas nas suas famílias adotivas? A única explicação possível: é um transtorno com forte participação genética.

Leia o texto na integra