quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Piaget para os pais na primeira reunião? Que loucura!

Todo início de ano letivo é igual. Os pais trazem seus filhos no primeiro dia de aula, com o objetivo de conhecer a professora e a sala em que a criança vai estudar.
Na escola em que trabalho, aproveitamos esse momento para apresentar as propostas de trabalho pedagógico para o ano.
Há alguns anos venho trabalhando com as séries iniciais, então aproveito para explicar aos pais como é o processo de alfabetização e de que forma eles podem contribuir em casa.


Começo falando sobre os trabalhos de pesquisa de estudiosos como Piaget, Vygotsky e Emilia Ferreiro (prontidão para aprender – tempo de cada criança; aprender com a ajuda do outro; professor mediando à aprendizagem; formas diferentes de pensar na escrita da mesma palavra, etc.). Então vou à lousa e escrevo a palavra CABELO de formas diferentes, observando as hipóteses silábicas (garatuja, pré silábico,silábico com e sem valor sonoro, silábico alfabético e alfabético). É incrível ver no rosto dos pais o reconhecimento da escrita de seu filho em determinada fase. Alguns pais colocam neste momento que seu filho já saber ler e escrever, então novamente falo sobre prontidão e explico que saber ler ou escrever uma lista de palavras não significa que a criança já esteja pronta para organizar um texto com estrutura, coerência e coesão, pois escrever pressupõe convenções que a fala não exige e novamente vou à lousa escrevendo uma frase sem artigos, concordância de gênero, número, verbal, sem estrutura, etc.


Comento com os pais de que forma eles poderão contribuir com as lições em casa em parceria com o trabalho feito em sala de aula, por exemplo: solicitando que seu filho ajude-o na lista de compras, perguntando quais letras ele identifica na latinha de achocolatado, enquanto preparam o leite, pedindo que desenhem algum objeto da casa e escrevam seu nome embaixo, etc. E imponho uma condição: NUNCA, JAMAIS, digam que a escrita da criança está errada, mas digam apenas: “Camila, você está indo muito bem, mas veja para escrever boneca você usou 3 letras, vamos pensar no som desta palavra, há alguma parte dela igual ao sem nome, ou como escrevemos bolo, boné, bolacha,botão,borracha”.
É claro que alguns pais acham isso um absurdo, mas falo da importância de não deixar a criança ansiosa ou com raiva da lição. É fundamental demonstrar confiança, respeito e parceria. Todos aprendem, basta ter paciência. Mesmo que neste momento a escrita de BONECA, sais BOEA ou OEA OU BOECA, espere ele vai evoluir.


Muitos saem da reunião com a sensação de que seu filho não vai aprender nada daquela forma, mas já na próxima reunião ou em algum bilhete enviado ao professor, os resultados aparecem e os pais tornam-se parceiros durante todo o ano, sempre perguntando: “Professora, como ensino meu filho, qual é a pergunta que devo fazer?


Inicialmente pode parecer uma tremenda loucura, mas essa parceria tem funcionado muito bem e os pais colaboram em todos os projetos propostos durante o ano (leitura para o filho, feira cultural, passeios, etc.). Alguns mais curiosos pedem indicações de leitura para conhecer mais sobre o assunto e mesmo os pais não alfabetizados ajudam seus filhos demonstrando confiança e persistência.

Cris chabes

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