quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Não é fácil ser professor!

Não é fácil ser professor e chegar ao final do ano percebendo que alguns alunos não conseguiram aprender.A satisfação seria total se todos, independente de suas dificuldades ou necessidades, saíssem alfabetizados, mas a realidade não é assim. Aliás a realidade em todos os sentidos não é cor de rosa, não é?
Sempre que um novo ano escolar começa, planejamos, organizamos e pesquisamos cada projeto, cada bimestre, cada aula e sem demora percebemos que os alunos precisam ser agrupados de acordo com seus conhecimentos e dificuldades, afim de que todos aprendam e uns ajudem os outros (é aquela ZDP do Vigotsky - Zona de Desenvolvimento Proximal - o que um aluno pode aprender com a ajuda de outro).
Assim, após o tempo de adaptação da criança com a escola e do professor com o grupo de alunos, algumas dificuldades aparecem: do professor com relação as DAs, da criança frente as novas descobertas diante da aprendizagem e, fora da sala de aula, da familia e comunidade escolar frente a dificuldades gerais que a criança apresenta.
Encaminhamentos sem retorno e pesquisas que não respondem a todas as perguntas feitas pelo professor só confirmam as angustias que aqui apresento ao final do ano letivo. "Será que fiz o suficiente? Será que não ensinei direito? Como se sente meu aluno? Quais angustias ele tem com relação a aprendizagem? Será que ele sofre como eu?"
Preciso neutralizar esses sentimentos e continuar buscando respostas, estudando para que ao final do próximo ano letivo eu não sofra e nem faça ninguém sofrer por não dar conta de toda minha classe.
Beijocas
Cris Chabes

Um comentário:

Beth Amorim disse...

Cris, eu sei exatamente o que é isso... Também sofro quando vejo que alguns alunos simplesmente não conseguem atingir um grau satisfatório de aprendizagem.

Sou professora do E. Fundamental II, da rede estadual de ensino aqui do RN. Vejo que muitas vezes esses "alunos que não aprendem direito" nos anos iniciais, são "empurrados" pelo próprio sistema, e acabam chegando ao 6º ano precariamente alfabetizados. E assim sendo, fica muito difícil trabalhar os conteúdos que exigem leitura e interpretação [ou seja, praticamente todos, de todas as disciplinas].

A disciplina que eu leciono, por exemplo. História é uma disciplina que exige muita leitura e interpretação e esses alunos chegam sem preparo para isso. Aliado a isso, ainda temos que lidar com a crescente falta de interesse desses alunos, que começam a ingressar na complicada adolescência, ou seja, com zilhões de coisas mais interessantes do que a escola.

É triste, mas essa é a realidade que encontramos. Educação sucateada na maioria das escolas públicas e o pior, muitos colegas professores desmotivados.

Trabalho numa escola que fica localizada em um dos bairros mais carentes da minha cidade. E a realidade lá é quase desesperadora. Violência, prostituição, drogas, indisciplina, falta de estrutura familiar, entre outras "sociopatias", são presenças constantes nas vidas dos meus alunos. E confesso que é muito difícil trabalhar numa realidade assim.

Mas, como ainda estou em início de carreira, me sinto completamente motivada para oferecer a minha contribuição. Sei que não posso mudar tudo isso sozinha, mas fazer a minha parte,isso eu sei que estou fazendo! E tomara que essa motivação continue sempre comigo!