sábado, 14 de agosto de 2010

"Vale presente" Incentivo ou Chantagem?

"Vale-presente" pode ser negativo, dizem educadores
(FÁBIO TAKAHASHI e ROGÉRIO PAGNAN)
fonte: http://www1.folha.uol.com.br
Professores veem chance de aluno forçar nota ruim para ganhar o dinheiro; outros elogiam incentivo à frequência
"Parece que está sendo dado um brinde aos que vão mal", diz professora da Unicamp sobre o termo "vale-presente"
Educadores ouvidos pela reportagem tiveram avaliações diversas em relação à iniciativa de dar dinheiro ao estudante com notas baixas que participe do reforço.
Pesquisador do Insper (ex-Ibmec SP), Eduardo Andrade diz que o projeto de tutoria é "interessante", mas o pagamento aos alunos pode ter um "efeito colateral": os não escolhidos terão incentivo a não irem bem nas provas, para poder ganhar o dinheiro.
"Seria interessante que os pupilos, para ganhar o pagamento, comprovassem algo adicional além da frequência nas tutorias, como por exemplo a realização de exercícios de reforço", diz Andrade.
Para a professora Angela Soligo, da Faculdade de Educação da Unicamp, os alunos mais pobres poderão, de fato, forçarem notas baixas para ganhar os R$ 50. "Mas essa não deve ser a regra."
Ela critica apenas o fato de o pagamento ser chamado de "vale-presente" pelo governo. "Dessa forma, parece que está sendo dado um brinde aos que vão mal."
A coordenadora do curso de pedagogia da Unicamp, Maria Marcia Malavazi, disse ver no projeto um sério risco de fracasso porque utilizará alunos e professores não treinados suficientemente.
Além disso, o projeto ataca a periferia e não a questão central do problema de qualidade de ensino. São, para ela, medidas paliativas e distantes de um investimento correto para a melhora de qualidade -como aulas em período integral.
"Remunerar o aluno para ele frequentar o reforço significa constatar que os nossos alunos não são motivados para as salas de aulas. Significa dizer que o problema é muito mais grave. Não podemos pensar que essa seja uma forma ideal de trazer o aluno para sala de aula com uma remuneração de R$ 50. É lamentável", afirmou ela.
A presidente da Apeoesp (sindicato dos professores), Maria Isabel Noronha, diz que o projeto como um todo é ruim porque a questão principal do problema não está sendo combatida.
Uma delas é oferecer uma remuneração adequada para os professores e, com isso, estimular a procura à carreira de profissionais de qualidade, principalmente de matemática, em deficit na rede.
"O Bolsa Família tenta combater o trabalho infantil, é uma outra discussão. Mas pagar para um aluno ter aulas é uma coisa que eu nunca vi", afirmou ela que diz ver um "caráter eleitoreiro".

Lindo Texto de Jô Soares

O professor está sempre errado
O material escolar mais barato que existe na praça é o professor!
É jovem, não tem experiência.
É velho, está superado.
Não tem automóvel, é um pobre coitado.
Tem automóvel, chora de "barriga cheia'.
Fala em voz alta, vive gritando.
Fala em tom normal, ninguém escuta.
Não falta ao colégio, é um 'caxias'.
Precisa faltar, é um 'turista'.
Conversa com os outros professores, está 'malhando' os alunos.
Não conversa, é um desligado.
Dá muita matéria, não tem dó do aluno.
Dá pouca matéria, não prepara os alunos.
Brinca com a turma, é metido a engraçado.
Não brinca com a turma, é um chato.
Chama a atenção, é um grosso.
Não chama a atenção, não sabe se impor.
A prova é longa, não dá tempo.
A prova é curta, tira as chances do aluno.
Escreve muito, não explica.
Explica muito, o caderno não tem nada.
Fala corretamente, ninguém entende.
Fala a 'língua' do aluno, não tem vocabulário.
Exige, é rude.
Elogia, é debochado.
O aluno é reprovado, é perseguição.
O aluno é aprovado, deu 'mole'.
É, o professor está sempre errado, mas, se conseguiu ler até aqui,agradeça a ele!

Jô Soares

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Nota mais alta não é educação melhor!!

Simone Iwasso
Clipping Educacional - O Estado de S.Paulo
Diane Ravitch, ex-secretária-adjunta de Educação dos EUA
Uma das principais defensoras da reforma educacional americana ? baseada em metas, testes padronizados, responsabilização do professor pelo desempenho do aluno e fechamento de escolas mal avaliadas ? mudou de ideia. Após 20 anos defendendo um modelo que serviu de inspiração para outros países, entre eles o Brasil, Diane Ravitch diz que, em vez de melhorar a educação, o sistema em vigor nos Estados Unidos está formando apenas alunos treinados para fazer uma avaliação.
Secretária-adjunta de Educação e conselheira do secretário de Educação na administração de George Bush, Diane foi indicada pelo ex-presidente Bill Clinton para assumir o National Assessment Governing Board, instituto responsável pelos testes federais. Ajudou a implementar os programas No Child Left Behind e Accountability, que tinham como proposta usar práticas corporativas, baseadas em medição e mérito, para melhorar a educação.
Suas revisão de conceitos foi apresentada no livro The Death and Life of the Great American School System (a morte e a vida do grande sistema escolar americano), lançado no mês passado nos EUA. O livro, sem previsão de edição no Brasil, tem provocado intensos debates entre especialistas e gestores americanos. Leia entrevista concedida por Diane ao Estado.